sábado, 30 de julho de 2011

Quisera eu

Quisera eu ter tido uma vida,

Disse a mosca ao final do dia.

Seres humanos apressados,

Como os invejo,

Vivem muitas luas,

Mas nem sequer a enxergam.

Quisera eu ter tido uma vida,

Disse a mosca ao final do dia.

Seres humanos felizes,

Nos raros momentos os vejo,

Correndo atrás dos seus sonhos,

Com muito ardor e desejo.

Quisera eu ter tido uma vida,

Disse a mosca ao final do dia.

Seres humanos infelizes,

Como os detesto,

Vivem muitos dias,

Correm muitos dias,

Mas se esquecem facilmente,

Do que até as moscas sabem....

É preciso amar.

É preciso crescer,

É preciso viver...

Quisera eu ter tido uma vida,

Disse a mosca ao final do dia.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

há dias...

que um copo de ácido parece mais saboroso que um suco de frutas,

que víboras ao sugo parecem mais atraentes que macarrão ao molho,

que voar de um prédio parece mais sensato que descer as escadas,

que entrar na frente de um ônibus parece mais certo do que dentro dele,

ainda bem que há dias assim...

não são todos os dias....

terça-feira, 19 de julho de 2011

...

Dizem que Deus é esperança, a Bíblia diz muito sobre a fé, hoje eu posso afirmar com todas as letras que sou um homem privado de esperança, não acredito em luz no final do arco-íris, nem que as coisas serão melhores no futuro. Almejo muito menos do que posso conquistar e pouco tenho, mas, assim é a vida.

Não posso dizer que tenho tudo o que quero, mas valorizo tudo o que tenho, sou grato a Deus pelos meus dias felizes que tive, pelos amigos que depositaram em mim sua simpatia e confiança, pelos prazeres que vivi, e que não poderia ter vivido e pelo fato de ter terminado o meu deguste da vida sem nenhuma seqüela física, as emocionais o rivotril resolve.

No mais sigo a minha vida. Esperança, já ao mais tenho, é um quadro na parede que me lembra meus dias de gloria e outro que me faz lembrar o sonhador que eu era, hoje só peço a Deus uma coisa, que eu tenha minha casa, que eu possa pagá-la e que eu tenha saúde nos meus próximos dias. Hoje cessaram todas as esperanças de enxergar normalmente, de ter uma CNH, de poder correr esse mundo num caminhão.

Segue a vida e segue o barco, não posso guia-lo e nunca pude, a minha plena felicidade não existe, mas sou feliz com o que tenho, o mundo segue, a vida segue e não posso parar pra m,e consertar, ou o mundo passa por cima de mim. Nem isso posso fazer . Mas vamos seguindo, lembrando das sabias palavras de um filme, “o que importa não é quantas vezes se apanha da vida, mas sim quantas vezes se levanta pra lutar de novo” e que venham os novos coros, movido pelas razoe pra viver, mas sem esperança nenhuma, e sem ilusão também.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Uma saga oftalmológica (crônica pessoal)

Quem me conhece, sabe que tem três coisas que eu detesto do fundo do meu coração, abóboras e seus derivados, agulha, mesmo de costura e exames de vista. Embora eu devesse ter me acostumado, desde os três meses de vida passando de médico em médico, ainda não consigo assimilar um exame com boa vontade.
Ontem foi um dia em que me vi obrigado pelas circunstancias a fazer alguns exames, e meu dia começou até bem, minha esposa tava trabalhando e minha filha estava com minha sogra, daí parecia simples. Acordei quase meio dia, fiz um café e sai pra fazer o tal exame. Peguei o ônibus assim que cheguei ao ponto e comecei a ouvir musica, e mesmo com a musica ainda conseguia ouvir uma voz de terror ao pensar nesse exame. Maldita sejas tu, ó retinografia do mal.
Não foi difícil achar a clínica, e a espera foi o menor dos problemas. Fui fazer três exames, a maldita retinografia, (vão entender o porquê) o campo visual e um tal de P.A.M. os dois últimos sem colírio, o terceiro era o pior deles, alem de colírio, contraste na veia.
Fiz o campo visual e depois fui fazer o tal do P.A.M. e pela primeira vez, me senti como um dos monstros no sobrenatural, sentei na cadeira e nem esquentei o local, o medico olhou meu olho e disse, - Nossa Senhora - e saiu, e mandou sair também. E com uma cara de assustado que me deu medo, me senti na obrigação de perguntar a ele se ele tinha visto um pedaço da minha alma, ele nem sequer respondeu.
Fiquei um bom tempo esperando o próximo exame. O tempo custou a passar, ouvi todas as musicas do meu celular, roí todas unhas, acabei com os copos descartáveis da dispensa de água, e depois como se não bastasse, uma boa noticia, o computador quebrou. (eeeeeeeeeeeee).
Como um enxame de abelhas todos resolveram lanchar e a sala ficou vazia. Pelo meu conhecimento prévio, já calculei que ia ter de voltar outro dia. Parte de mim dava graças a Deus, porem a parte consciente sabia do fato de que minha esposa estava na casa da minha sogra, e que ela com certeza não poderia voltar pra lá esse mês, alem de caro, é mais cansativo pra ela pois ela tem de tomar um ônibus que demora mais, alem de ser mais caro. Fiquei ali e fui o próximo a ser chamado, era a hora da temida retinografia.
Sentei me na cadeira, o médico tirou as primeiras fotos, e eu já estava dopado de colírio, o anestesista colocou uma agulha pra injetar o contraste na minha amada veia, só que nesse instante, o oftalmologista viu uma mancha na lente do aparelho, ao invés de pegar um lenço de papel e limpar a lente eles estavam procurando uma bombinha. Vai pro inferno, uma agulha espetada no meu braço e eles procurando uma maldita bombinha. Eu perguntei com um ar de cinismo, - gente eu não sei se vocês perceberam mas tem uma agulha espetada no meu braço.-, ai usaram o lenço mesmo.
O mau desse exame é que depois que termina por uns dez minutos a gente fica vendo tudo roxo, como se colocasse um saco de pipoca doce, dessas que a gente compra em qualquer buteco, aritana, e colocasse no olho. Eu estava sozinho, não tinha ninguém pra me levar, e pra voltar só Deus me acompanhava, depois de entrar em três ônibus o quarto era Fabriciano, e daí cheguei em casa. Se a policia me parasse, com certeza ia me perguntar de qual boca eu tinha saído, imediatamente eu fui dormir e acordei hoje de manhã. E ainda tive de ouvir minha mãe a reclamar que eu não atendo o telefone. Por isso eu digo, com todas as letras Maldita Retinografia