quarta-feira, 23 de novembro de 2011

cancões da minha vida

aos vinte eu cante e cantei com gosto:

"Nem por você Nem por ninguém Eu me desfaço Dos meus planos Quero saber bem mais Que os meus 20 E poucos anos..."

aos 25 cantei:

"Tenho 25 anos de sonho e de sangue E de América do Sul Por força desse destino O tango argentino me vai bem melhor que o blues"

e agora eu canto daqui a pouco:

"e aos vinte e nove com o retorno de Saturno, decidi começar a viver"

mas não quero cantar aos 30, já chega já.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Depressão,

Todos me perguntam se eu estou em depressão,

Mas o que é depressão?

Depressão é levantar os olhos e não ver para que lado vão as coisas, é não saber o que se passa do outro lado da rua, é sonhar com algo impossível, um documento verde emitido pelo Detran,

É saber que seu salário não é suficiente para pagar suas contas e fazer com que os seus vivam melhor, e saber que não se pode aumentá-lo de maneira legal e sem pagar caro por isso,

É acordar de manhã sem muita perspectiva, sem saber o que lhe reserva o futuro,

É ter de responder perguntas insanas de por que isso, e por que aquilo.

E ser o porto seguro de muitos e não ter onde repousar,

É saber que do ponto de vista dos outros, você é tudo de bom, e saber que do seu ponto de vista nada é o que parece ser,

É não enxergar o ônibus que lá vem vindo e ficar horas esperando o próximo, e como se não bastasse isso, ver de longe a injustiça e a maldade alheia,

É saber que seu travesseiro não é um bom conselheiro,

É acordar fadigado e dormir cansado, o peso é maior que a cangalha.

Isso é depressão.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Crônicas do Soldado de Hanrieta parte II

Os homens de Hanrieta passavam pelos piores treinamentos antes de pegar em armas, só os melhores eram selecionados, mas entre os melhores havia apenas um que se destacava. Do batalhão 85 havia um homem franzino, magro, que era facilmente visto entre todos, já que aqueles outros eram mais fortes e este era de braços finos e aparência sofrida.

Dentre todo o batalhão o soldado franzino era o mais dedicado, cuidava de suas atividades e em campo era um exímio atirador, no entanto nunca questionava suas tarefas.

Um dia, caiu uma intensa chuva e todos os soldados foram para o front, um dos responsáveis pelo batalhão 85 queria que o soldado franzino fosse transferido, para isso aproveitou a saída dos soldados e foi para os alojamentos e desarrumou a cama do soldado franzino, jogou suas coisas no chão e molhou a sua cama com a água que descia do banheiro a fim de acusa-lo.

Ao voltar do front todos se espantaram com a cena, enquanto o major esbravejava:

- isso é uma cama digna de um soldado? Como você explica isso?

O soldado friamente respondeu:

- senhor, eu não posso explicar isso,

- o que você vai fazer soldado?

- o que o senhor ordenar major.

Enquanto o major esbravejava um general de alta patente que acabara de chegar ficou sabendo da cena e foi averiguar, o soldado limpava sua cama mesmo cansado e lavava os lençóis e colocou o colchão em pé na cama, e foi levado a prisão do batalhão. Após algumas horas um pássaro pousou no alto da janela da sela onde estava o soldado franzino, que olhou para ele e disse:

- é Deus e mais nada.

Após uma rápida investigação e com o pedido de transferência do soldado franzino mas mãos o general ficou sabendo do que o major havia feito, como havia uma guerra, dessa vez o major foi para o embate, enquanto o soldado franzino padecia naquela prisão. ao retornarem do front a cama do major estava em pior estado do que a do soldado, e o general chamou todo o batalhão e reuniu os homens no corredor daquele quarto e disse:

- há alguns anos um menino estava num jardim e pegou varias flores pequenas e fez um belo arranjo e deu a sua mãe, na cerca havia brotado uma bela flor, suntuosa, vermelha e linda, eu perguntei a ele por que ele não pegava aquela flor e ele me disse que ela era venenosa. O que eu vi aqui hoje e justamente isso, aquele que não é forte como os outros tem seus atributos, os homens de Hanrieta não são os mais bonitos, são os melhores em tudo, e isso deve ser respeitado sempre, a força, a retidão, a bravura, e nunca a beleza, e a força não está no tamanho dos braços, mas sim no coração de quem tem. Hoje soldado você dormiu na cadeia por um crime que não cometeu, só por que você é franzino passaste uma noite na prisão, agora escolhe você a pena do major.

Aquele homem de poucas palavras surpreendeu a todos com a sua resposta, ele disse:

- que Deus me faça justiça, eu nada posso sugerir, pois coloquei nas mãos de Deus.

O general ordenou que o major dormisse na cama dele, sem banho e sem limpeza, e assim a ordem se cumpriu.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Deus me leva por favor,

Deus me leva por favor,
Eu to cansado, já vi, e vivi tanta coisa que dá medo em criancinha.
Eu to velho, cada dia eu vivi em dobro, passei, fome; frio e sede, mas to vivo,
Eu to muito cansado,
Já passei perto da morte tantas vezes...
Sempre enterrei os outros, mas minha hora nunca chegou,
Eu tenho dores...
Há meses não tenho uma boa noite de sono.
To sem forças,
Vi tanta tristeza por onde passei, e fiz tanta bobagem,
Num dá mais não,
Deus daí me mais pressa,
Ta pesado pra mim, as pessoas querem de mim o que eu não posso dar,
Não sou perfeito, rico, e muito menos bonito,
Me leva Oh Pai, me leva pra casa.
Cansei de ver gente jogando areia na minha farofa,
De acreditar nas pessoas e ninguém acreditar em mim,
De ver gente me julgando e não conseguir ver ninguém,
To fadigado,

Cuida dos meus pra mim meu Deus, e faz um café, seu filho ta voltando pra casa,

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Crônicas do Soldado de Hanrieta parte I

Um batalhão durante a segunda grande guerra entra em confronto com os soldados alemães na periferia de Desdren, no final do embate sobraram apenas dois homens um aliado e um alemão, o aliado era o homem de Hanrieta, o alemão era um dos grandes da aramada alemã, antes de dar o ultimo tiro de sua arma o Homem de Hanrieta diz ao soldado alemão:

- tens um pedido a fazer? se tem saiba que antes de me pedir qualquer coisa saiba que não sei perdoar, me peça para ter qualquer qualidade, qualquer uma que seja encontrada no dia a dia, mas não há nenhuma que eu necessite mais e que eu tenha de tampouco do que o perdão, não se acha em qualquer esquina, me peça para agir com misericórdia, pra ter piedade ou para que eu poupe-lhe a vida, mas não me peça perdão, preciso dele pelos meus erros, mas não darei a ninguém o que eu não tenho, se houver onde comprar me avise, pagaria qualquer preço pra saber perdoar.Me peça misericórdia e eu lhe darei, Me peça clemência e eu verei o que posso fazer, Não me peça perdão, esse eu não posso lhe dar”.

antes que o alemão lhe respondesse ele levou um tiro, disparado da arma do homem de Hanrieta, que disse :

- te dei misericórdia, te dei clemencia, mas te nego o perdão.


o sol nasce mais uma vez me dizendo a seguinte verdade:


"não pare pra sem lamentar,

a vida não espera que você junte seus cacos e siga em frente,

o mundo não para de girar,

então levanta e segue,

o que te faz diferente não é a forma que você apanha da vida,

mas sim quantas vezes e como você vai se levantar,

não espere piedade,

não espere glória nem compaixão,

nem consideração,

levanta do jeito que estiver e corre,

há uma guerra lá fora e você tem de vencer,

a vida é cruel e não vai ter pena de você,

cai matando,

ou morre tentando,

mas não para,

não dá pra parar"


sábado, 30 de julho de 2011

Quisera eu

Quisera eu ter tido uma vida,

Disse a mosca ao final do dia.

Seres humanos apressados,

Como os invejo,

Vivem muitas luas,

Mas nem sequer a enxergam.

Quisera eu ter tido uma vida,

Disse a mosca ao final do dia.

Seres humanos felizes,

Nos raros momentos os vejo,

Correndo atrás dos seus sonhos,

Com muito ardor e desejo.

Quisera eu ter tido uma vida,

Disse a mosca ao final do dia.

Seres humanos infelizes,

Como os detesto,

Vivem muitos dias,

Correm muitos dias,

Mas se esquecem facilmente,

Do que até as moscas sabem....

É preciso amar.

É preciso crescer,

É preciso viver...

Quisera eu ter tido uma vida,

Disse a mosca ao final do dia.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

há dias...

que um copo de ácido parece mais saboroso que um suco de frutas,

que víboras ao sugo parecem mais atraentes que macarrão ao molho,

que voar de um prédio parece mais sensato que descer as escadas,

que entrar na frente de um ônibus parece mais certo do que dentro dele,

ainda bem que há dias assim...

não são todos os dias....

terça-feira, 19 de julho de 2011

...

Dizem que Deus é esperança, a Bíblia diz muito sobre a fé, hoje eu posso afirmar com todas as letras que sou um homem privado de esperança, não acredito em luz no final do arco-íris, nem que as coisas serão melhores no futuro. Almejo muito menos do que posso conquistar e pouco tenho, mas, assim é a vida.

Não posso dizer que tenho tudo o que quero, mas valorizo tudo o que tenho, sou grato a Deus pelos meus dias felizes que tive, pelos amigos que depositaram em mim sua simpatia e confiança, pelos prazeres que vivi, e que não poderia ter vivido e pelo fato de ter terminado o meu deguste da vida sem nenhuma seqüela física, as emocionais o rivotril resolve.

No mais sigo a minha vida. Esperança, já ao mais tenho, é um quadro na parede que me lembra meus dias de gloria e outro que me faz lembrar o sonhador que eu era, hoje só peço a Deus uma coisa, que eu tenha minha casa, que eu possa pagá-la e que eu tenha saúde nos meus próximos dias. Hoje cessaram todas as esperanças de enxergar normalmente, de ter uma CNH, de poder correr esse mundo num caminhão.

Segue a vida e segue o barco, não posso guia-lo e nunca pude, a minha plena felicidade não existe, mas sou feliz com o que tenho, o mundo segue, a vida segue e não posso parar pra m,e consertar, ou o mundo passa por cima de mim. Nem isso posso fazer . Mas vamos seguindo, lembrando das sabias palavras de um filme, “o que importa não é quantas vezes se apanha da vida, mas sim quantas vezes se levanta pra lutar de novo” e que venham os novos coros, movido pelas razoe pra viver, mas sem esperança nenhuma, e sem ilusão também.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Uma saga oftalmológica (crônica pessoal)

Quem me conhece, sabe que tem três coisas que eu detesto do fundo do meu coração, abóboras e seus derivados, agulha, mesmo de costura e exames de vista. Embora eu devesse ter me acostumado, desde os três meses de vida passando de médico em médico, ainda não consigo assimilar um exame com boa vontade.
Ontem foi um dia em que me vi obrigado pelas circunstancias a fazer alguns exames, e meu dia começou até bem, minha esposa tava trabalhando e minha filha estava com minha sogra, daí parecia simples. Acordei quase meio dia, fiz um café e sai pra fazer o tal exame. Peguei o ônibus assim que cheguei ao ponto e comecei a ouvir musica, e mesmo com a musica ainda conseguia ouvir uma voz de terror ao pensar nesse exame. Maldita sejas tu, ó retinografia do mal.
Não foi difícil achar a clínica, e a espera foi o menor dos problemas. Fui fazer três exames, a maldita retinografia, (vão entender o porquê) o campo visual e um tal de P.A.M. os dois últimos sem colírio, o terceiro era o pior deles, alem de colírio, contraste na veia.
Fiz o campo visual e depois fui fazer o tal do P.A.M. e pela primeira vez, me senti como um dos monstros no sobrenatural, sentei na cadeira e nem esquentei o local, o medico olhou meu olho e disse, - Nossa Senhora - e saiu, e mandou sair também. E com uma cara de assustado que me deu medo, me senti na obrigação de perguntar a ele se ele tinha visto um pedaço da minha alma, ele nem sequer respondeu.
Fiquei um bom tempo esperando o próximo exame. O tempo custou a passar, ouvi todas as musicas do meu celular, roí todas unhas, acabei com os copos descartáveis da dispensa de água, e depois como se não bastasse, uma boa noticia, o computador quebrou. (eeeeeeeeeeeee).
Como um enxame de abelhas todos resolveram lanchar e a sala ficou vazia. Pelo meu conhecimento prévio, já calculei que ia ter de voltar outro dia. Parte de mim dava graças a Deus, porem a parte consciente sabia do fato de que minha esposa estava na casa da minha sogra, e que ela com certeza não poderia voltar pra lá esse mês, alem de caro, é mais cansativo pra ela pois ela tem de tomar um ônibus que demora mais, alem de ser mais caro. Fiquei ali e fui o próximo a ser chamado, era a hora da temida retinografia.
Sentei me na cadeira, o médico tirou as primeiras fotos, e eu já estava dopado de colírio, o anestesista colocou uma agulha pra injetar o contraste na minha amada veia, só que nesse instante, o oftalmologista viu uma mancha na lente do aparelho, ao invés de pegar um lenço de papel e limpar a lente eles estavam procurando uma bombinha. Vai pro inferno, uma agulha espetada no meu braço e eles procurando uma maldita bombinha. Eu perguntei com um ar de cinismo, - gente eu não sei se vocês perceberam mas tem uma agulha espetada no meu braço.-, ai usaram o lenço mesmo.
O mau desse exame é que depois que termina por uns dez minutos a gente fica vendo tudo roxo, como se colocasse um saco de pipoca doce, dessas que a gente compra em qualquer buteco, aritana, e colocasse no olho. Eu estava sozinho, não tinha ninguém pra me levar, e pra voltar só Deus me acompanhava, depois de entrar em três ônibus o quarto era Fabriciano, e daí cheguei em casa. Se a policia me parasse, com certeza ia me perguntar de qual boca eu tinha saído, imediatamente eu fui dormir e acordei hoje de manhã. E ainda tive de ouvir minha mãe a reclamar que eu não atendo o telefone. Por isso eu digo, com todas as letras Maldita Retinografia

domingo, 5 de junho de 2011

Homem simples, simples homem

Eu não queria

Nem quero da vida,

Riquezas poder e sombra,

Não quero a paz dos áureos,

Nem mesmo a dor do medíocre.

Não quero a tristeza do ímpio,

Nem o descanso do justo,



Quero arroz e feijão na mesa,

A alegria infante que me foi roubada,

Os olhos que me foram tampados,

Acrescidos da perfeita visão,

Quero a simplicidade do pardal,

Da pomba eu quero distância,



Eu aprendi a viver na guerra,

Hoje não sei conviver com a paz,

Não quero muito da vida,

Nem mesmo ser um homem simples,

Só um simples homem,

Sem as armas da guerra,

Sem a falsa paz.



Quem não queria ser,

Quem não queria viver,

Como um homem simples,

Como um simples homem.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

"Baganga louca"

Quando penso em sonhos e demais coisas que almejei, não sei precisar a certo o que foi importante ou não. Os sonhos permeiam minha vida desde os primeiros anos, e as paixões carnais e materiais sempre me acompanharam, seja pelos problemas que ainda carrego, ou pela condição financeira, eu ainda travo muitas batalhas e quase nada do que eu quis, eu realmente consegui.

Quando criança, minha principal paixão foram os ônibus, jurei que um dia iria ter um e dirigi lo, mas não consegui ter o meu, já fiz loucuras na direção de veículos de amigos, mas eu mesmo não consegui ter o meu pra poder aprontar com ele, tenho um pedido que sempre fiz a Deus que carrega muito disso, mas Ele ainda não me achou graça para atender.

Ontem a noite assistindo a um programa de TV, vi uma reportagem sobre as obras do PAC em Jiral, e Santo Antônio, em Rondônia e também em Suape PE, mais uma vez esses sonhos se afloraram. Vi ônibus enlameados até o pára-brisas, grande parte com mais de dez anos de uso, e imaginei como na grande maioria dos sonhos que tive, dirigir um “balaio” desses em condições inimagináveis, chuvas torrenciais, atoleiros, em condições surreais mas que ainda existem no Brasil, pegar uma “baganga louca” e descer o pé sem dó, como os antigos faziam. Mas infelizmente não dá. Meus olhos não permitem.

E assim vou seguindo a vida, levando de uma maneira vagarosa, pra muitos até me fazendo de vitima, pra outros só mais um escritor desiludido. Mas fica a mensagem, “sonhos são sonhos, nunca deixe de tentar realiza los, mas se não conseguir hoje, lembre se, ainda se tem uma vida inteira pela frente.”.

domingo, 24 de abril de 2011

Nunca Se Sabe (Engenheiros do Hawaii)

Composição : Humberto Gessinger

Sei que parecem idiotas
As rotas que eu traço
Mas tento traçá-las eu mesmo
E, se chego sempre atrasado
Se nunca sei que horas são
É porque nunca se sabe
Até que horas os relógios funcionarão
Sem dúvida a dúvida é um fato
Sem fatos não sai um jornal
Sem saída ficamos todos presos
Aqui dentro faz muito calor
Sempre parecem idiotas
As rotas que eu faço
Sempre tarde da noite
E se ando sempre apressado
Se nunca sei que horas são
É porque nunca se sabe
É porque nunca se sabe
Nem sempre faço o que é
Melhor pra mim
Mas nunca faço o que eu
Não tô afim de fazer
Nem sempre faço o que é
Melhor pra mim
Mas nunca faço o que eu
Não tô afim
Não quero perder a razão
Pra ganhar a vida
Nem perder a vida
Pra ganhar o pão
Não é que eu faça questão de ser feliz
Eu só queria que parassem
De morrer de fome a um palmo do meu nariz
Mesmo que pareçam bobagens
As viagens que eu faço
Eu traço meus rumos eu mesmo (a esmo)
E se nunca sei a quantas ando
Se ando sem direção
É porque nunca se sabe
É porque nunca se sabe

Nem sempre faço o que é melhor pra mim
Mas nunca faço o que eu
Não tô afim de fazer
Não viro vampiro, eu prefiro sangrar
Me obrigue a morrer
Mas não me peça pra matar, não!

madrugadas de abril

se é bom pensar,
se é bom falar,
eu não sei...

as duas da manhã me pego na madrugada errante,
em um pensamento monofásico retumbante,
seja elétrico, rápido forte e limpo,
as vozes me traem.

não penso na arte da vida,
já não vivo entre os vivos,
a mortalidade chegou até mim,
minha mente negra e sombria já não difere mais as vozes.

já não posso falar,
reivindicar meu acesso,
minha posse, meu castigo.
estou inútil.

as pessoas me indagam,
por mim procuram,
mas eu sou o lixo do lixo,
quem sou eu?
o que eu fiz?
eu tentei.


meu peito dói,
não posso gritar,
minhas pernas doem,
não posso correr,
meu corpo pede paz,
mas não consigo nem ver.
e o frio do outono,
anuncio do inferno,
o invrno chega em breve.

e a quem me queixar? não consigo mais ver.....

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A Verdade a Ver Navios ( Engenheiros do Hawaii)


Na hora "h"
No dia "d"
Na hora de pagar pra ver
Ninguém diz o que disse
(não era bem assim)

Na hora "h"
No dia "d"
Na hora de acender a luz
Ninguém dá nome aos bois
(tudo fica pra depois)

Mas é impossível repetir
O que só acontece uma vez
É impossível reprimir
O que acontece toda vez
Que alguém acorda
Porque já não aguenta mais
E a corda arrebenta
No lado mais forte

É muito engraçado
Que todos tenham os mesmos sonhos
E que o sonho nunca vire realidade

É muito engraçado
Que estejam do mesmo lado
Os que querem iluminar
E os que querem iludir

É muito engraçado
Que todo mundo tenha
Armas capazes de tudo
De todo mundo acabar
No dia "d", na hora "h"

Mas é impossível repetir
O que só acontece uma vez
É impossível reprimir
O que acontece toda vez
Que alguém acorda
Porque já não aguenta mais
E a corda arrebenta
No lado mais forte

É impossível repetir
O que só acontece uma vez
É impossível reprimir
O que acontece toda vez
Que chega a hora
De dizer chega...

... a hora...
... de dizer chega...

Não pagar pra ver
A verdade a ver navios
Onde já se viu?